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Tinha que acontecer
Numa sala escura
Num quarto vazio
Aconteceu,
Da pureza do escrínio
ao insosso do agridoce
O fim aconteceu
E pra minha voz falácia,
a sabedoria se extinguiu
E a astúcia do eu belo perdeu-se na abstinência
Sou uma barata milenar nas areias da Namíbia,
Extravasando, fado
Esperando eterna por sua vez de ser o ínfimo ser
E participar do cataclisma aterrorizador da cópula,
E suprimir o ócio bucólico do amor,
E alar.
Verde Gaia (Samas)
Grama verde que embeleza
Inspira e suspira emotivo
Conforta e preocupa sua beleza
Brilha e seca ao tempo
Toda a relva coberta
Perfeitamente... as paredes brancas
Os olhos e o céu
Toda ornamentação necessária.
Pássaros e lagartas desfrutam
Pessoas deitam-se sem preocupação
Descansam em paz
Lêem seus livros... e escrevem
Grama verde ressecada
Já gasta com o uso
Até aparecer alguém
Com mais um sabá
Começa-se o ritual
Fortalece-se a gaia
Respira-se mais verde
Encontra-se mais relva
indiscrição
quando eu e você caminhamos
a passos desequilibrados
automáticos pelas ruas sem nome
entre salpicos de sombra e de luz
entre o anônimo público
e o topo da cidade
entre o tanto e o tempo
dentro eram
motores
tremores
temores
verdades essenciais
eram gritos
contidos -
A MANCHA RUBRA (Samas)
ESCORRE VERMELHA, ESPESSA
GOTEJA EM CADA LUGAR
ESTAMPA MULTILATERAL
PERCORRE O MAIS REMOTO
MANCHA ATÉ OS BECOS
CARIMBA O MAIS SOMBRIO
RUBRAMENTE PREENCHE DE ECO
CORAÇÕES RAROS
MAS PERMANENTEMENTE VAZIOS
PROPOSITALMENTE VAZIOS DA MANCHA,
NÃO DO RUBRO ESSENCIAL
PRESENTE LITERAL EM TODAS AS COISAS
MANCHA A TODOS:
AO "HOMEM MALVADO"
a "MULHER PERVERSA"
MANCHA COM AGULHA
O RUBRO PERMANENTE
NO BRAÇO QUE VOS ESCREVE
ESCORRE ESPESSAMENTE VERMELHA
NOS MORTOS FRIAMENTE
E NOS VIVOS EM LAVA
CHOVE EM GOTAS E LÁGRIMAS
É ÁPICE DA VIDA EM SUA BASE
E APOGEU EM SEU DECLÍNIO
MENCHA EM CÍRCULO,
EM MULTIFORMAS
DE VER E SENTIR.
É sua voz q te condena
São suas falas mínimas,
sua sábia clareza
e paixão por viver
Que te coloca em patamar atroz.
São minhas palavras doces
Que fazem vc e eu sermos nós
É minha língua amarga
E meu cerebelo cansado
Que me mata, te mata por querer
São minuciosas e malditas fadas
Que tiram meu prazer
Nós em viva carne
Em sangue só pavor
Com amargos lírios nos lábios
E frutas vermelhas tingindo a língua
E panos e panos e panos com pane
Com luz clara absoluta
E o frio que atiça a espinha
São medulas de gatos
E rabos de linces
Esguios como nós juntos
E a falta de pele
E a falta de pele
Incube-me em não viver.

Achei essa imagem num site de psicanálise: "Aformação a partir da prima matéria"
(http://planeta.terra.com.br/saude/omundodossonhos/artigos_a_prima_materia.html)
Ele tinha olhos que rosnavam,Eles tinham volumes de balões azuis e flutuavam
O mundo era paralisia em rodas.
Parado, aritmetico e banalizado
O toque central,Ela, a guitarra e meu sangue a pulsar
Não vi,Cinco minutos numa estancia desconhecidas
Com sorrisos ele por perto, desconheço.
Tão estranhos por mãos desconhecidas
Acordei,1979 sem perceber.
Ninguem estava ali.Grama pontuda e aguda
ABaixando, perdi as fitas de cetim
E por ela, ele e eles
Não matei vibora alguma
Não sorri.Fechei os olhos novamente e esqueci.E também
A Dama E O Bonde (Samas)
A dama estava na janela a espera do bonde que,
a baixo, passava todas as noites
Fitava cada parte do trilho como se fosse sua alma...
Sentia cada barulho do bonde
como se fosse as batidas de um coração
Um coração que não cabia a que pertencia!
Embaçava o vidro com sua respiração até o bonde passar.
Mas ainda não passara
A dama o tinha como à própria vida...
a vida como a si num espelho.
E o almejava como todo o tesouro do mundo, pois ambos foram
Feitos um para o outro e mereciam ficar juntos para sempre...
Abria a janela enquanto toda a vida passava pela mente...
como um filme
Soluçava todas as ânsias de se juntar à sua metade
E agonizava em pensar haver apenas uma saída
E ter toda a intrepidez do mundo para realiza-la!
Esperou a dama alguns minutos...
arrumou o quarto, fechou a janela, abriu a porta e desceu
Deitou-se intrepidamente nos trilhos e dormiu sonhando,
enfim, estar ao lado de quem devia...
O bonde passou e não deu tempo da dama levantar-se. O bonde passou...
E assim, eternizará ao lado da morte, com quem sempre sonhou a dama!
uma mãe
Sim, ela tinha batom no canto dos lábios
E pude ver seus dentes amarelos e sua língua rachada enquanto sorria pro seu filho
Sim, ela era mãe
De um lindo louro garoto
Este,
filho de uma cópula de feios
E naum do sexo de belos
Mas que ainda sim, era algo para se olhar
Transtorno
Deixai vir a mim da tua alma os recessos
Teus acessos de pânico, a mim teu pavor
Tuas trevas, tuas drogas, os teus recomeços
Teus preços, teu nojo, o teu desamor
A mim os teus gritos, os teus infinitos
A tua sentença, teu impublicável
Os teus labirintos do inalcançável
Tuas portas fechadas, segredos malditos
A mim, o teu gozo de proibido fel
Os teus olhos torpes, disformes, azedos
Em mim, o teu fim, o teu sim, o teu céu
Em mim, tua extinção, sem um só gemido
Deixai-me ser mãe de teus enganos ledos
Banquetear-me em tua alma sem sentido.
O Poeta (Samas)
Pegar um bloco, segurar a caneta...
Respirar fundo, exalar emoções.
Escrever versos parece necessidade e vício;
Transmutar o mundo tratando-o como chuveiro
Que derrama para limpar, renovar!
Desagonizar vidas e fatos e torna-los complexos... perplexos!
Adorar desdobrar o grito agonizante
Em lírica opereta interpretada com rudez.
Será poesia a necessidade das palavras
Que transformam a vida em suplício
Ou será a vida um suplício das palavras
Que transforma a música em poesia?
A objetividade do cinismo daqueles que tratam
Os sentimentos como "meras" palavras,
Caracteriza e confirma a falsa arte do poeta:
Forjar sentimentos e transtornar pensamentos
Fazendo os rudes leitores verem palavras objetivas.
as onze
branco.nulo.inválido.
Mas apenas seu corpo doía.
Seu centro, espalha-se
Numa cadeia loura de luz
E uma auréola vislumbra seu crânio
Não era clérigo
Mas mesmo assim
Uma pureza cristã lhe tomava o corpo.
Sua mão fria, já não era impressionante
E seu rosto estático, não era mais belo.
Sua porcelana estava manchada,
E seus panos encardidos.
Suas águas turvas,
E seus filhos perdidos.
De repente,
O garoto amado, não era mais amado
Era branco.nulo.inválido.